Conheça os macacos mais ameaçados do Brasil e do Mundo
Inúmeros motivos nos levam a cultivar fascínio e admiração pelos macacos de diferentes regiões, seja por nossa proximidade evolutiva, seja por sua capacidade cognitiva, as mais variadas espécies nos encantam de maneiras distintas. Infelizmente, esse apreço nem sempre se converte em respeito e valorização. Alguns dos macacos mais ameaçados do mundo vivenciam essa realidade de forma direta, perdendo seu habitat, suas fontes de alimento e, muitas vezes, enfrentando novas doenças.
Fique com a gente neste blog e conheça algumas espécies de primatas que figuram entre os animais mais ameaçados do mundo e que se tornaram sinônimo de raridade.
Qual a diferença entre macaco e primata?
O dia 14 de dezembro se tornou o Dia Internacional dos Macacos, uma data criada de forma bem-humorada para estimular a reflexão sobre os primatas de forma geral, macacos, símios e lêmures. E esse último ponto, agora, vai ser de extrema importância para nós, a correta denominação de cada grupo.

Quando falamos em primatas, nos referimos ao grupo como um todo, a Ordem Primates, que se divide em diferentes subgrupos, desde os lêmures de Madagascar, passando pelos pequenos tarsos, até os grandes hominóideos (normalmente também chamados de símios), como chimpanzés, gorilas e orangotangos.
Ou seja, embora os termos “macaco” e “primata” possam ser usados como sinônimos no dia a dia, eles não significam a mesma coisa do ponto de vista científico. Tanto na língua portuguesa quanto na inglesa, existem nomes distintos para nos referirmos a esses grupos. Primatas correspondem a primates, macacos a monkeys e símios são chamados de apes.

Do ponto de vista científico, os macacos costumam ser divididos em dois grandes grupos:
- Macacos do Novo Mundo (Platyrrhini): encontrados nas Américas, como micos, saguis, muriquis e macacos-prego;
- Macacos do Velho Mundo (Cercopithecoidea): nativos da África e da Ásia, como babuínos e colobos.
Então, afinal, quem são os macacos?
É importante lembrar que a taxonomia, ou seja, o sistema de denominação e organização baseado em aspectos evolutivos e genéticos, é uma ferramenta criada por nós, seres humanos, para ajudar a identificar e compreender as diferentes formas de vida. Portanto, é natural que existam variações dentro dos padrões definidos para cada grupo.
Os macacos do Novo Mundo, encontrados exclusivamente nas Américas, são em sua maioria arborícolas, de pequeno a médio porte e, em muitos casos, possuem cauda preênsil, capaz de auxiliar tanto na locomoção quanto na sustentação do corpo.
Já os macacos do Velho Mundo, nativos da África e da Ásia, incluem espécies com hábitos arbóreos e terrestres, geralmente não apresentam cauda preênsil e exibem maior diversidade de tamanhos e formas de organização social.
Quais os motivos que tornam os macacos ameaçados?
Os macacos compartilham características marcantes típicas dos primatas, como elevada capacidade cognitiva, sociabilidade complexa e forte ligação com os ecossistemas em que vivem. Esse conjunto de fatores os torna peças-chave na manutenção da biodiversidade e, ao mesmo tempo, alguns dos animais mais ameaçados do planeta.
Os animais mais ameaçados do mundo enfrentam problemas semelhantes, resultantes de um conjunto de ameaças crescentes e interligadas, quase sempre associadas à ação humana. A mais significativa delas é a perda e fragmentação de habitats, causada pelo desmatamento, pela expansão agropecuária, pela mineração, pela urbanização e pela construção de infraestruturas urbanas.
Quando seus territórios são atingidos, reduzidos ou até mesmo isolados, sem corredores ecológicos seguros, muitas espécies passam a sofrer com a escassez de alimento, a dificuldade de reprodução e a maior vulnerabilidade genética.
Essas pressões históricas desencadearam outros fatores críticos que se consolidaram como grandes ameaças, como a caça e o tráfico, o surgimento de doenças emergentes com potencial zoonótico (uma doença ou infecção transmissível entre animais vertebrados e humanos) e os impactos diretos e indiretos das mudanças climáticas.
Espécies de macacos mais ameaçados
Fizemos uma seleção dos oito macacos mais ameaçados do Brasil e do mundo e trouxemos detalhes que as tornam tão especiais, mas que infelizmente, estão em risco.
Muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus)
Nº de registros no Biofaces: 42
O maior primata das Américas se tornou um símbolo de resiliência e uma das espécies mais ameaçadas da Mata Atlântica brasileira. A espécie se destaca por seu comportamento altamente social e pacífico, vivendo em grandes grupos que dependem de áreas extensas e bem conservadas.
O desmatamento histórico da Mata Atlântica, aliado à fragmentação extrema do bioma, reduziu drasticamente suas populações, que hoje sobrevivem em poucos fragmentos isolados.

Macaco-aranha-de-testa-branca (Ateles marginatus)
Nº de registros no Biofaces: 139
Endêmico da Amazônia brasileira, esse macaco-aranha se destaca pelo corpo esguio, membros longos e pela alta dependência do dossel florestal. A perda de habitat, causada pelo desmatamento, pela abertura de estradas e pelo avanço do agronegócio, afetou severamente a espécie.
Essa fragmentação florestal dificulta sua locomoção, alimentação e reprodução, tornando a espécie um dos macacos mais ameaçados do Brasil e do mundo.

Caiarara ka’apor/Macaco-prego-de-kaapori (Cebus kaapori)
Nº de registros no Biofaces: 4
Esse macaco ameaçado ocorre em áreas restritas do leste da Amazônia, nos estados do Pará e do Maranhão. Sua população entrou em colapso devido ao desmatamento acelerado, à caça e à pressão humana sobre territórios tradicionais.
Muito sensível às perturbações urbanas, é considerado atualmente um dos macacos mais raros do Brasil.

Zogue-zogue de Alta Floresta (Plecturocebus grovesi)
Nº de registros no Biofaces: 20
Logo após sua descrição e reconhecimento como espécie, esse macaco já passou a ser considerado altamente ameaçado. Habita áreas de transição entre a Amazônia e o Cerrado, uma das regiões mais afetadas pela expansão agropecuária no Brasil.
De hábitos discretos e grupos pequenos, está entre os macacos mais ameaçados do Brasil e também entre os menos estudados de forma aprofundada.

Macaco-de-ventre-vermelho (Cercopithecus erythrogaster) – África
Em Perigo (EN) – ssp. pocock
Criticamente em Perigo (CR) – ssp. erythrogaster
Nº de registros no Biofaces: 0 (!)
Endêmico de regiões florestais da África Ocidental, especialmente no Benim e na Nigéria, esse macaco chama atenção pela coloração avermelhada no abdômen. Vive em florestas tropicais sob forte pressão da agricultura e da extração madeireira.
Atualmente, as duas subespécies sofrem também com a expansão urbana e figuram entre os macacos mais ameaçados do mundo.

Macaco patas do sul (Erythrocebus baumstarki) – África
Nº de registros no Biofaces: 0 (!)
Adaptado a savanas e áreas abertas, esse macaco depende de grandes territórios para sobreviver. A fragmentação de seu habitat e a conversão dessas paisagens em áreas agrícolas, aliadas à caça e a conflitos com humanos, levaram a um rápido declínio populacional, que continua em andamento.
Esses fatores fazem com que pesquisadores se perguntem se esse macaco ameaçado conseguirá sobreviver às pressões atuais.
Macaco-de-nariz-empinado-de-Mianmar (Rhinopithecus strykeri) – Ásia
Nº de registros no Biofaces: 0 (!)
Esse macaco de aparência singular, com o nariz voltado para cima, vive em florestas montanhosas do sudeste asiático, mais especificamente em uma região de fronteira entre o estado de Kachin, em Mianmar, e a província de Yunnan, na China.
Extremamente sensível às perturbações ambientais, múltiplas ameaças o tornaram um dos macacos mais ameaçados do mundo, como a fragmentação do habitat, a caça e o tráfico, a mineração, os incêndios florestais e a construção de estradas em áreas remotas.
Surili de Sarawak (Presbytis chrysomelas) – Ásia
Nº de registros no Biofaces: 0 (!)
Dividido em duas subespécies, chrysomelas e cruciger, esse primata é endêmico do noroeste da ilha de Bornéu. Seu declínio populacional foi (e ainda é) tão severo que apenas poucos fragmentos florestais ainda abrigam populações viáveis.
Há preocupações reais de que essa fragmentação, aliada à expansão agrícola e à extração madeireira, inviabilize a sobrevivência da espécie a médio-longo prazo.
Agora é com você!
Conhecer as espécies dos macacos mais ameaçados e raros é apenas o primeiro passo. A conservação desses primatas depende também de informação, visibilidade e colaboração ativa, e é nesse ponto que você pode fazer a diferença!
Se você já registrou alguma das espécies citadas neste blog, ou outros macacos no Brasil e no mundo, publique seus registros na plataforma do Biofaces. Cada foto, cada observação e cada dado compartilhado ajudam a ampliar o conhecimento científico, a mapear populações e a fortalecer estratégias de conservação por meio da ciência-cidadã.
Algumas espécies ainda não possuem registro na plataforma, quem sabe será você o primeiro a compartilhar!
Acesse o Biofaces e poste agora mesmo!
Texto por: Kleyton Camargo – Greenbond Conservation
Revisado por: Juliana Cuoco Badari – Greenbond Conservation
