O que são manguezais e qual sua importância para fauna marinha
Os manguezais são ecossistemas costeiros de transição entre o ambiente marinho e o ambiente terrestre, assim como as zonas de restinga e os costões rochosos. Apesar da grande importância para a fauna e equilíbrio dos biomas relacionados, como Amazônia e Mata Atlântica, sofrem diretamente as consequências das ações antrópicas. Continue lendo esse artigo e descubra as espécies que dependem dos manguezais para sobreviver.
O que são os manguezais?
Caracterizados por fazerem a transição entre o ambiente marinho e o terrestre, são ambientes capazes de suportar a dinâmica e fluxo das marés. Por isso, tanto a vegetação quanto a fauna desses ambientes estão adaptadas às variações do nível da água, salinidade e a disponibilidade de oxigênio.
Durante a maré alta, as águas do mar avançam sobre o rio, elevando seu nível e aumentando a salinidade. Quando a maré baixa, esse movimento se inverte e o rio escoa em direção ao mar, reduzindo o volume de água e tornando-a menos salgada.

Essa dinâmica diária, que varia conforme as estações e o regime de marés, dá origem a um gradiente de salinidade: com água doce nos trechos fluviais, salgada nos trechos marinhos e salobra nas zonas de transição.
Além dessa variação química, os manguezais acumulam grande quantidades de matéria orgânica e sedimentos trazidos pelos rios. Isso torna o solo e a água extremamente ricos em nutrientes, o que favorece a vida de diversas espécies. No entanto, a decomposição dessa matéria orgânica torna o ambiente pobre em oxigênio, exigindo adaptações específicas da fauna e da flora para sobreviverem em condições tão desafiadoras.
Onde estão os manguezais?
Os manguezais estão distribuídos ao longo de praticamente toda costa brasileira, desde o Oiapoque – AP, no extremo norte, até Laguna – SC, no sul do país. Esses ecossistemas ocorrem principalmente em regiões de costas mais baixas e áreas estuarinas (locais onde os rios deságuam no mar e criam condições ideais para a formação de ambientes salobros). Segundo dados do MapBiomas, em 2021, os manguezais ocupavam mais de um milhão de hectares (1.011 Mha) do território nacional.

Qual a importância do manguezal?
Os manguezais funcionam como verdadeiros berçários naturais, oferecendo abrigo, alimento e condições ideais para o desenvolvimento de diversas espécies de peixes, crustáceos e aves.
Sua densa vegetação, também atua como uma barreira, uma proteção física contra os impactos de eventos climáticos extremos, como tempestades, marés altas e erosão costeira. Suas raízes entrelaçadas ajudam a estabilizar o solo, evitando que áreas costeiras sejam destruídas por processos erosivos ou invadidas pelo avanço do mar.

Além de sua importância para a manutenção da biodiversidade, os manguezais também exercem um papel fundamental na sustentabilidade dos recursos pesqueiros e para a segurança alimentar das populações humanas que vivem próximas a essas áreas.
Qual a diferença de mangue e manguezal?
Mesmo sendo uma dúvida comum, é uma resposta simples, pois são conceitos diferentes: quando falamos de manguezal, nos referimos ao ecossistema como um todo, sua vegetação e aspectos geofísicos. Enquanto o mangue, refere-se a uma gama de espécies de plantas adaptadas ao ambiente salobro e lodoso típico das zonas costeiras.

Das espécies vegetais de mangue, há três gêneros principais: o mangue-vermelho (Rhizophora spp.), caracterizado por suas raízes-escora robustas, para sua sustentação no ambiente lodoso; o mangue-branco (Laguncularia spp.) é reconhecido por sua coloração mais clara e presença em ambientes menos suscetíveis a inundação; e o mangue-preto (Avicennia spp.), chama a atenção por suas raízes-aéreas, chamadas de pneumatóforos, que facilitam a respiração vegetal, captando diretamente do ar, já que há pouca disponibilidade no solo.

Espécies que utilizam os manguezais como berçário
Peixe-boi-marinho (Trichechus manatus)
Os manguezais são habitats fundamentais para o peixe-boi-marinho, oferecendo condições ideais para seu ciclo de vida. Os canais calmos e a vegetação abundante fornecem alimento e abrigo, sobretudo nas fases iniciais do desenvolvimento.
Essas áreas são importantes não apenas pela disponibilidade de alimento, mas também porque oferecem proteção contra predadores e perturbações causadas por atividades humanas, o que é especialmente importante principalmente para fêmeas com filhotes. A presença dos manguezais é, portanto, decisiva para a sobrevivência e recuperação populacional da espécie.

Guará (Eudocimus ruber)
O guará, com sua plumagem de um vermelho vibrante, é um dos símbolos mais marcantes dos manguezais. Os galhos entrelaçados da vegetação dos mangues oferecem um suporte perfeito para nidificação dessas aves.
O ambiente do manguezal fornece uma ampla gama de alimentos, como pequenos crustáceos, moluscos e outros invertebrados encontrados nos substratos lodosos que compõem a base da dieta do guará. Esses organismos contêm carotenoides, pigmentos que são metabolizados pela ave e responsáveis pela característica coloração vermelha das penas de indivíduos adultos.

Caranguejo-uçá (Ucides cordatus)
O caranguejo-uçá é uma das espécies mais emblemáticas dos manguezais brasileiros, sendo essencial para a ciclagem de nutrientes, ao consumir folhas em decomposição. A espécie também figura como símbolo em diversas tradições culturais e festividades das comunidades costeiras.
É facilmente reconhecido pelo seu corpo robusto, carapaça marrom-esverdeada e patas longas. Vive em tocas profundas escavadas na lama do manguezal, que podem atingir até 2 metros de comprimento, ajudando a arejar o solo e facilitar a circulação de água.

Guaiamu (Cardisoma guanhumi)
O guaiamu é um crustáceo de grande porte, de coloração azulada a roxa, e semi-terrestre, que sai das tocas à procura de alimento. Ao contrário do caranguejo-uçá, que permanece sempre dentro do manguezal, o guaiamum também pode ser encontrado nas áreas de transição com vegetação mais seca.
Atualmente, a espécie é considerada Vulnerável (VU) pela SALVE, enfrentando um declínio populacional, devido à exploração excessiva e à degradação dos manguezais.

Tainha (Mugil spp.):
As tainhas são peixes costeiros que realizam migrações entre ambientes de água salgada, salobra e de água doce, tendo os manguezais como áreas estratégicas em seu ciclo de vida.
Esses ambientes servem como berçário e refúgio para os filhotes, proporcionando abrigo contra predadores e grande oferta de alimento sob a forma de algas, detritos e microorganismos encontrados nos fundos lamosos dos manguezais.

Tamanduaí (Cyclopes didactylus)
Com pelagem densa e dourada, corpo pequeno e cauda preênsil, é perfeitamente adaptado aos galhos e troncos dos mangues, onde se move com agilidade em busca de formigas, sua dieta principal.
No manguezal, o tamanduaí encontra alimento farto e proteção contra predadores terrestres, porém, além das adversidades naturais, também enfrenta as pressões antrópicas do ambiente. Ou seja, o menor dos tamanduás também é símbolo de resiliência nos manguezais brasileiros

Dia Mundial de Proteção aos Manguezais
Agora que você conhece um pouco mais sobre a importância do manguezal e seu papel essencial para o equilíbrio ecológico e proteção das zonas costeiras, junte-se a nós neste dia de valorização.
A data (26/07) acende o alerta sobre a urgência da conservação destes ecossistemas tão ricos e biodiversos. Segundo Audrey Azoulay, diretora-geral da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco):
“Os manguezais estão em perigo: estima-se que mais de três quartos dos manguezais do mundo estão ameaçados e com eles todos os organismos aquáticos e terrestres que dependem deles.”
E você, já visitou esses ecossistemas costeiros e teve a oportunidade de registrar momentos e espécies que representam a biodiversidade dos manguezais? Compartilhe o seu registro na plataforma do Biofaces e contribua para que a mensagem de conservação chegue a mais pessoas!
Redação: Kleyton Camargo – Greenbond Conservation
Revisão: Juliana Cuoco Badari – Greenbond Conservation
