Animais do Pantanal: espécies além do Big Five que você precisa conhecer!
O Pantanal, a maior planície alagada do mundo, nos encanta e nos surpreende todos os anos, através das dinâmicas e interações ecológicas que se relacionam através de uma verdadeira dança das águas. Entre períodos de seca e cheia, os animais do Pantanal se adaptaram ao ambiente e evoluíram conforme as pressões do bioma, tornando-o um ecossistema único.
Hoje não falaremos da anta, da onça e nem mesmo das araras, vamos direcionar nossos olhares para outros animais do Pantanal, muitas vezes esquecidos, desconhecidos ou pouco valorizados. Aproveite o Dia do Pantanal e venha conhecer esse outro lado da fauna pantaneira, continue lendo!
Pantanal, a maior planície alagada do mundo!
Uma das maiores áreas úmidas do planeta, o Pantanal, abrange cerca de 210 mil km², sendo considerado o menor bioma brasileiro. No Brasil, a maior parte do bioma está localizada no estado do Mato Grosso do Sul, enquanto o restante encontra-se no Mato Grosso. Além disso, também se estende pela Bolívia e Paraguai.
No que diz respeito à biodiversidade, o bioma pantaneiro é um verdadeiro santuário de vida silvestre. Estima-se que existam cerca de 3.800 espécies na região, dessas há uma grande riqueza de flora, com 2.500 espécies de plantas, e muitas espécies incríveis de animais, sendo 650 de aves, 124 de mamíferos, 98 de répteis, 60 de anfíbios e 386 espécies de peixes de água doce.
Por ora, esqueça aqueles animais super famosos que você vê por aí, o chamado Big 5 do Pantanal (onça-pintada, tuiuiu, tamanduá-bandeira, ariranha e jacaré-do-pantanal) e também aqueles que costumam aparecer nas listas mais conhecidas da fauna pantaneira.
Hoje o destaque vai para os “coadjuvantes” do Pantanal, espécies que nem sempre ganham os holofotes, mas tem um papel essencial na manutenção da vida e do equilíbrio do bioma.
5 animais do Pantanal subestimados
Cabeça-seca (Mycteria americana)
É uma espécie de cegonha, que pertence à família Ciconiidae. O cabeça-seca muitas vezes é ofuscado por seus “primos” mais conhecidos, os tuiuius (Jabiru mycteria) e os maguaris (Ciconia maguari). Apesar disso, é presença constante ao longo de lagos e margens de rios do Pantanal.

Enquanto seus primos passam de 1 metro, o cabeça-seca mede entre 80 e 100 cm de comprimento e possui uma envergadura média de 1,7 m. A espécie é encontrada em praticamente todo o Brasil, geralmente formando grupos.
Habituado a zonas alagadas, permanentes ou temporárias, o cabeça-seca tem preferência por peixes, mas também alimenta-se de moluscos, anfíbios, crustáceos e até insetos, desempenhando papel importante de controle das populações desses ambientes.
Queixada (Tayassu pecari)
Cateto e Queixada, parece até nome de dupla sertaneja dos anos 60, né? Mas, na verdade, trata-se de duas espécies de dois porcos selvagens da família dos taiassuídeos (Tayassuidae).
O cateto (Pecari tajacu) costuma ser mais lembrado por todos, enquanto seu primo, o queixada (Tayassu pecari), que é considerado Vulnerável à extinção pela IUCN (2025), é um dos protagonistas da nossa lista de animais do Pantanal.
O queixada é uma espécie que vive em grandes bandos, capazes de caminhar por horas e percorrer quilômetros durante o dia, forrageando e alimentando-se de praticamente tudo o que encontram: frutos, raízes, brotos, sementes, plantas aquáticas e até invertebrados, como larvas de insetos e minhocas.

Antigamente, a área de distribuição da espécie se estendia por praticamente todo o Brasil, chegando até a América do Norte. No entanto, nos últimos anos, sua população foi drasticamente reduzida devido à perda de habitat causada pela expansão agrícola, pela introdução de espécies invasoras, como o javali (Sus scrofa), e também pela caça.
O nome “queixada” vem do hábito de bater o queixo em sincronia com o grupo quando percebem a presença de alguma ameaça. E não se deixe enganar pela aparência: apesar de parecer apenas um simples “porquinho” de lábios brancos, quando estão em bando, são capazes de enfrentar até mesmo uma onça!
Rã-chorona/Fórmula-1 (Physalaemus albonotatus)
Durante a noite no Pantanal, um som ecoa dos lagos e áreas alagadas de forma repetitiva, parecendo até uma corrida de Fórmula 1 ou mesmo um berçário, cheio de bebês chorando em sintonia. Mas tenha calma, não é nada disso. Esse som consiste na vocalização deste pequeno anfíbio, a rã-chorona, ou rã-fórmula-1.

Dentre os sons noturnos recorrentes na planície alagável, o canto deste animal do Pantanal se fará presente ao longo da temporada reprodutiva, entre outubro e abril. Neste momento, a espécie constroi ninhos de espuma sobre a água (estratégia típica do gênero), onde os ovos permanecem protegidos até o desenvolvimento dos girinos.
Caboclinho-do-pantanal (Sporophila iberaensis)
O caboclinho-do-pantanal, também conhecido comocaboclinho-do-Iberá, não recebeu esses nomes à toa. A espécie ocorre principalmente no Parque Nacional do Iberá, na Argentina, e no Brasil, é encontrada apenas no Pantanal, tanto em Mato Grosso do Sul quanto em Mato Grosso.
A espécie apresenta dimorfismo sexual, o macho possui uma plumagem característica: partes superiores escuras, garganta preta, e uma faixa branca marcante atrás do olho; enquanto a fêmea é mais parda.

Para os observadores de aves, encontrar e fotografar essa pequena e rara espécie migratória é uma verdadeira conquista. No entanto, sua presença nos campos úmidos e nas áreas de capinzal natural está cada vez mais ameaçada pela intensificação das secas e pela conversão dessas paisagens em áreas agrícolas.
Sauá / Titi-do-Chaco (Plecturocebus pallescens)
Do grupo dos sauás, ou guigós, esse primata tímido e pouco falado, é uma espécie típica de regiões de transição entre o Cerrado, o Pantanal e a Amazônia.
Não é um mamífero grande, mede entre 30 a 45 cm, com uma cauda que pode chegar a 55 cm. Distingue-se dos outros macacos do grupo por sua coloração, que varia do bege ao cinza-claro. Esta característica inspirou o nome “pallescens”, que quer dizer “pálido” ou “de coloração clara”, além de apresentar uma pelagem um pouco mais longa.

Recentemente, após revisão publicada no periódico científico Boletim do Museu Emílio Goeldi, o primata deixou de fazer parte do gênero Callicebus e foi realocado no grupo Plecturocebus.
A mudança acompanha a tendência da primatologia moderna de alinhar a nomenclatura à linhagem evolutiva demonstrada por estudos genéticos recentes. O artigo ressalta a importância dessa atualização para a compreensão da biodiversidade, manejo e conservação.
A biodiversidade do Pantanal
Ao olhar atentamente, para além dos animais mais famosos do Pantanal, percebemos que a riqueza desse bioma está justamente na interação ecológica entre toda a fauna pantaneira e seu ambiente.
Cada espécie, por menor ou mais discreta que seja, carrega consigo uma função essencial, participando dessa engrenagem viva que faz o Pantanal ser um dos lugares mais incríveis e biodiversos do mundo.
Você já fotografou esses animais do Pantanal?
Agora, quando você visitar o Pantanal, vai lembrar que a riqueza do Pantanal vai muito além desses animais mais famosos. Olhe ao redor, reconheça novas cores, novas formas, novos cantos e se surpreenda!
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E não se esqueça, além de fotografar, você pode contribuir para a conservação dessas espécies! Cada registro compartilhado no Biofaces se torna uma informação importante para os pesquisadores da área, além de encantar a todos os apaixonados pela natureza!
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Quer saber mais sobre os animais do Pantanal que compõem o Big 5 do bioma? Temos alguns artigos completos sobre alguns deles. Acesse:
Conheça os Big Five do Pantanal
Animais fantásticos e onde habitam: Onça-pintada
Animais fantásticos e onde habitam: Arara-azul-grande
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Tudo o que você precisa saber sobre lontras e ariranhas
Redação: Kleyton Camargo – GreenBond Conservation
Revisão: Juliana Cuoco Badari – GreenBond Conservation
